Fotografia: António Cunha


Identificação do Monumento:

Porta da Alcáçova

Outra designação:

Arco do Miradeiro

Localização:

Elvas, Portalegre, Portugal

Data de construção do monumento:

Sécs. III-IV AH / IX-X AD

Período / Dinastia:

Omíadas de al-Andalus (emirato e califato)

Descrição:

Apesar de ainda hoje se conservarem grandes troços das muralhas do recinto amuralhado superior de Yalbash, da Elvas de época de domínio islâmico, grande parte desse recinto encontra-se dentro de quintais de casas particulares ou fortemente modificado pelas muralhas posteriores ao século XVII.

Esta entrada, conhecida como “Porta da Alcáçova” ou “Arco do Miradeiro” é constituída por uma porta de entrada recta, ladeada por duas torres quadrangulares, maciças e pouco salientes. Na sua construção utilizaram-se grandes silhares graníticos, provenientes provavelmente de uma construção romana, senão mesmo de um antigo sistema defensivo dessa época ou do período tardo-romano.

Não há quaisquer indícios de que esta entrada tivesse feito parte de um sistema de acesso em cotovelo, pelo que não seria de estranhar que pudesse datar, eventualmente, do período emiral ou califal. De facto, sabe-se que a região em redor do Guadiana – Mérida, Badajoz – foi ocupada e governada por uma família de muwalladun (muladís), descendentes de Ibn Marwan al-Jilliqi, um dois quais manifestou interesse em fortificar Albasharnal, no século III AH / IX AD, local que a crónica refere localizar-se numa margem do Guadiana oposta àquela em que se fundará a cidade de Badajoz; tudo leva a crer que Albasharnal, Albash e/ou Yalbash sejam uma e a mesma localidade – muito provavelmente a futura Elvas.

O crescimento, em épocas posteriores, da madina, imediatamente para sul desta entrada, pode ter bloqueado a necessidade de reforçar esta entrada, que se manteve sem grandes alterações nos séculos seguintes do domínio islâmico.

Embora actualmente o arco da entrada se apresente com uma volta mais ou menos perfeita, esta porta exibia um arco “ultrapassado” ou “em ferradura”, que só foi modificado em 1887; a alteração levada a cabo consistiu em cortar as saliências da ultrapassagem dos 180° do arco, circunstância que, como foi descrito, causava problemas na circulação de produtos no interior do próprio arco. Dessa entrada original ficou, afortunadamente, um cliché feito por um cidadão polaco que, pouco tempo antes, esteve em Elvas de passagem. O arco visível nessa foto do século XIX não tem moldura ou “alfiz”, o que é mais um sinal da sua antiguidade.

Este conjunto de circunstâncias aponta para um sistema de entrada que, em termos cronológicos, pode corresponder aos períodos emiral e califal (séculos III-IV AH / IX-X AD), dado que não há ainda a certeza sobre se o referido arco corresponde ao período de domínio da família Jilliqi na região, se à fase de afirmação do poder do primeiro califa na região.

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A parte mais antiga da fortificação islâmica de Elvas é constituída pela Porta da Alcáçova. Esta entrada na parte alta da cidade tem um acesso frontal (não há quaisquer indícios de que tivesse existido um acesso em cotovelo), ladeado por duas torres quadrangulares, maciças e pouco salientes. A tipologia arquitectónica da porta, que outrora teve um arco ultrapassado, e a ausência do alfiz apontam para cronolgias recuadas, em torno dos períodos emiral e califal (séculos III-IV H. / IX-X d.C.). A construção da porta poderá estar relacionada com o domínio na região de Ibn Marwan al-Jilliqi.

Como foi estabelecida a datação:

A circunstância de esta entrada apresentar, em finais do século XIX um arco em ferradura, sem alfiz e inserido numa entrada recta, leva a enquadrá-lo, tipologicamente, numa fase inicial do domínio islâmico na região. Poderá ser da época da afirmação de Abd al-Rahman ibn Marwan al-Jilliqi na região (século III AH / IX AD). Não houve ainda intervenções arqueológicas no local.

Bibliografia seleccionada:

Castelo de Elvas, I.P.P.C.,1991.

Correia, F. B., “Juromenha, Elvas e Alandroal: algumas reflexões em torno de fortificações islâmicas e cristãs do curso médio do Guadiana”, Cira, vol. 7, Vila Franca de Xira, 1998, pp. 111-128.

Correia, F. B., Elvas na Idade Média, tese policopiada, 1999.

Correia, F. B., “O sistema defensivo da Elvas Islâmica”, Mil anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magrebe (500-1500) – Actas do Simpósio Internacional sobre Castelos, Palmela, 2002, pp. 357-367.

Pires, A. T., O Castello de Elvas, vol. IX dos Estudos e notas elvenses, Elvas, 1907.

Citation:

Fernando Branco Correia "Porta da Alcáçova" in "Discover Islamic Art", Museum With No Frontiers, 2019. 2019. http://www.discoverislamicart.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;6;pt

Autoria da ficha: Fernando Branco Correia

Número interno MWNF: PT H

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