Fotografia: António CunhaFotografia: António CunhaFotografia: António Cunha


Identificação do Monumento:

Castro da Cola

Localização:

Ourique, Beja, Portugal

Data de construção do monumento:

Séculos VI-VII AH / XII-XIII AD (e, depois, XI / XV)

Período / Dinastia:

Almorávida e almóada

Descrição:

O local identificado arqueologicamente como "castro" da Cola era conhecido até há algumas décadas como Nª Srª da Cola – a sua identificação como "castro" baseia-se em conjecturas eruditas que viam o sítio como uma construção "lusitano-romana". De facto, todo o território em redor deste local tem uma densa ocupação pré e proto-histórica mas a actividade arqueológica revelou aqui um habitat medieval. Os trabalhos arqueológicos foram iniciados por Abel Viana em 1958 e prolongaram-se pelos anos sessenta.

Em época islâmica este local era conhecido como Marjiq, designação que perdurou mesmo após a conquista portuguesa. De facto, no séc. VII AH / XIII AD, na carta de foral que é outorgada a esta localidade consta o nome de Marachique; no séc. VIII / XIV o local está decadente, e a sede de concelho passa para a vizinha Ourique.

Este sítio arqueológico foi escavado na década de sessenta, com o objectivo de se encontrar a referida ocupação lusitano-romana. Porém, as escavações revelaram uma "acrópole" fortificada cuja construção teve lugar em época islâmica mas num período ainda não determinado com segurança. Essa muralha define um recinto semelhante a uma alcáçova, a qual chegou a ter ocupação militar, de forma pontual e com algumas adaptações, ainda no séc. IX / XV.

A fortificação do topo, a mais visível, exibe uma entrada que, apesar das modificações introduzidas no séc. IX / XV, é em cotovelo, como surge em muitas fortificações do al-Andalus, sobretudo a partir do séc. V / XI.

O aparelho construtivo dominante é a alvenaria de xisto local, unida em muitos casos com uma argamassa terrosa. Em alguns pontos da fortificação detectam-se paredes com aparelho de tipo "espinhado", ou seja, uma variante tardia do opus spicatum.

No interior dessas muralhas são visíveis, para além de uma pequena cisterna, traços de urbanismo. Pela sua planta, é possível constatar que algumas das casas se organizavam em torno de um pátio central. Na área do "castro" foram encontradas lápides com inscrições funerárias de época islâmica. As cerâmicas exumadas datam, maioritariamente, da fase final do período islâmico, mas há-as também de fases anteriores.

No exterior da alcáçova têm-se detectado construções, o que configura a possibilidade de ter havido ocupação humana na vertente que desce para o rio Mira e para a ribeira do Marchicão – hidrónimo que se mantém como uma reminiscência do nome primitivo. O aproveitamento de locais com este tipo de implantação, nos quais se tira partido das condições de defesa e dos recursos proporcionados pela conjugação de duas linhas de água, tem paralelos em outros sítios do al-Andalus.

Sondagens pontuais recentes revelaram que as muralhas que se observam actualmente, e que resultaram do amontoar das pedras extraídas das escavações não estão exactamente, em alguns tramos, sobre a muralha islâmica original. Por outro lado, as aberturas que ainda se vêm na muralha também não são originais – são saídas para despejo de terras das escavações dos anos sessenta.

View Short Description

Fortificação situada a curta distância a sul de Ourique era conhecida, em época islâmica, como Marjiq, designação que perdurou mesmo após a conquista portuguesa.
A muralha define um recinto semelhante a uma alcáçova, a qual chegou a ter ocupação militar, de forma pontual e com algumas adaptações, ainda no séc. IX H/ XV d.C. A fortificação do topo, a mais visível, exibe uma entrada em cotovelo, como surge em muitas fortificações do al-Andalus, sobretudo a partir do séc. V H./ XI d.C.
No interior das muralhas são visíveis, para além de uma pequena cisterna, traços do urbanismo do povoado islâmico.

Como foi estabelecida a datação:

Pela referência textual sabe-se que Marjiq / Marachique existia durante o período de domínio Almorávida. O facto de ter sido constituído como sede concelho, no século VI AH / XII AD, leva a considerar a existência de, pelo menos, uma ocupação contínua entre os séculos VI / XII e VIII / XIV. Porém, não é de excluir uma existência militar já no século V / XI, numa fase que este território era zona de fronteira entre os reinos de taifas de Sevilha e de Silves.

Bibliografia seleccionada:

Correia, F. B., Intervenção Arqueológica no Castro da Cola - relatório, Lisboa, 1997.

Lopes, D., Os árabes nas obras de Alexandre Herculano, separata do Boletim de Segunda Classe da Academia das Ciências de Lisboa, vol. III e IV, Lisboa, 1911.

Mestre, J. F., Cerâmica Muçulmana do Castro de Nossa Senhora da Cola, Ourique, 1992.

Viana, A., Arquivo de Beja, vol. XVII, Fasc. I-IV, 1960.

Viana, A., Diário de escavações, anos de 1958-1962, Beja (manuscrito, Museu Rainha Dª Leonor).

Citation:

Fernando Branco Correia "Castro da Cola" in "Discover Islamic Art", Museum With No Frontiers, 2026. 2026.
https://islamicart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;30;pt

Autoria da ficha: Fernando Branco Correia

Número interno MWNF: PT JJ

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