
Tigela
Mértola, Beja, Portugal
Museu de Mértola
About Museu de Mértola, Mértola.
Segunda metade do século V AH / XI AD
CR/VM /0001
Cerâmica vidrada fabricada com pasta amarelada pouco compacta, modelada em torno rápido, cozida em atmosfera oxidante e decorada em “verde e manganés”.
Diâmetro máximo 39 cm; diâmetro de la base 13,6 cm; altura 13 cm
Período das taifas
Kairouan (Tunísia).
Tigela de bordo extrovertido com pequena aba horizontal, boca circular, corpo hemisférico e base convexa com pie anular vertical. O exterior foi revestido com um vidrado esbranquiçado quase transparente. O interior foi decorado com vidrado polícromo em branco, verde, manganés e amarelo, com um peculiar estilo figurativo esquemático. O motivo central consiste numa dinâmica cena de caça em que um galgo e uma ave (tal vez um falcão ou uma águia) atacam simultaneamente uma gazela. Esta leva na boca um elemento em forma de espiral que poderá ser uma serpente ou um ramo. No bordo encontramos um festão de arcos negros cheios com vidrado verde.
O objecto foi reparado com gatos durante o seu período de uso. Encontramos também orifícios na base, que se destinavan, provavelmente, a pendurar o objecto na parede. Peça restaurada.
Tigela onde se representa uma cena de caça em que um galgo e um falcão atacam uma gazela. Esta segura na boca um elemento em forma de espiral. A peça, datada da segunda metade do século V H./XI d.C. e com paralelos no Mediterrâneo Ocidental, terá sido importada da zona de Kairouan.
O contexto estratigráfico em que foi encontrado o objecto encontrava-se muito revolvido. A datação na segunda metade do século V AH / XI AD foi estabelecida através de paralelos com peças de forma semelhante da Qal'a dos Banu Hammad (Argélia), Tunis y Kairouan (Tunísia), Denia e Cartagena (Espanha), e Pisa (Itália).
Encontrada nas escavações arqueológicas realizadas pelo Campo Arqueológico de Mértola na alcáçova do castelo de Mértola.
A proveniência deste tipo de cerâmica encontra-se actualmente em debate. A abundância de peças com este estilo decorativo em Kairouan inclinou os investigadores a atribuir-lhes esta origem, mas as análises de pastas efectuadas em peças de Mértola e de Pisa contrariam tal hipótese e fazem supor uma possível procedência do sul da Península Ibérica.
Gómez Martínez, S., “La cerámica de verde y morado de Mértola”, Arqueologia Medieval, n.º 3, 1994, pp. 113-132.
Gómez Martínez, S., “Catálogo da cerâmica”, Museu de Mértola. Arte Islâmica,ed. S. Macias, Mértola, pp. 108-109.
Gómez Martínez, S., “Producciones cerámicas en la Mértola Islámica”, Actes du VIIeme Congrès International sur la Céramique Médiévale en Méditerranée. Thessaloniki, 11-16 Octobre 1999, Atenas, 2003, pp. 653-58.
Torres, C., y Gómez, S., "Le vert et brun au Portugal", Le Vert et le Brun de Kairouan à Avignon, céramiques du Xe au XVe siècle. Catalogue de la exposition, Marseille, 1995, pp. 98-102.
Torres, C., y Macias, S. (eds.), O Portugal Islâmico, Lisboa, 1998, p. 100.
Susana Gómez Martínez "Tigela" in "Discover Islamic Art", Museum With No Frontiers, 2026.
https://islamicart.museumwnf.org/database_item.php?id=object;ISL;pt;Mus01;10;pt
Autoria da ficha: Susana Gómez Martínez
Tradutor/a: Santiago Macias
Número interno MWNF: PT 13