Fotografia: António CunhaFotografia: António Cunha


Identificação do Monumento:

Castelo do Alandroal

Localização:

Alandroal, Évora, Portugal

Data de construção do monumento:

1298

Arquitecto(s) / Mestre(s) responsável(s):

“Mouro Calvo”.

Período / Dinastia:

Mudéjar

Encomendado por:

Ordem de Avis.

Descrição:

O castelo do Alandroal é um bom exemplo da arte mudéjar no Alentejo, na medida em se trata de uma fortificação encomendada por elites cristãs a um alvanél ou arquitecto de origem islâmica.

Esta fortificação foi mandada edificar, em finais do século XIII (1298), pela Ordem militar de Avis, durante o reinado de D. Dinis (1279-1325).Trata-se de uma construção que utiliza o xisto da região, embora em alguns pontos se detecte a utilização de tijolo e mármore.

O seu arquitecto ou alvanél foi o mestre “Mouro Calvo” a quem, curiosamente, os senhores da vila e do castelo permitiram a colocação, numa esquina da torre da direita de uma das portas da fortificação, de uma lápide onde, além de o construtor se identificar, utiliza, no final dessa lápide, uma expressão equivalente à divisa dos reis nasrís de Granada mas transcrita em caracteres latinos. A inscrição é curiosa, na medida em que depois de algumas frases em português medieval, termina com a seguinte afirmação: "LEGALI : BI : IL : ILLALLA". Trata-se de uma forma algo disfarçada da expressão "Wa la Ghalib illa Allah" que, pela forma como foi separada, poderia iludir de alguma forma uma identificação automática com a divisa nasrí.

É possível encontrar nesta fortificação alguns dos traços mais significativos da arquitectura dominante nas fortificações do al-Andalus. Para além da existência de predominância de torres quadrangulares, verifica-se que a parte superior de algumas das torres prolonga-se para o interior, até à face interna da muralha – situação que obriga a que a torre seja atravessada por pequenos túneis sobre o caminho de ronda. Encontram-se torres com esta mesma configuração nas muralhas islâmicas de Sevilha que, eventualmente, podem ter servido de modelo ao arquitecto muçulmano deste castelo.

Mas o alvanél Mouro Calvo quis deixar, intencionalmente, uma outra marca da matriz islâmica andalusí; numa zona escondida do castelo, num ângulo de difícil visibilidade, foi colocada uma pequena janela que, construída no interior em tijolo maciço, exibe-se para o exterior no esplendor do mármore, desenhando uma abertura com um arco em ferradura enquadrado por um "alfiz" ou moldura, comum em sistemas decorativos da fase final do domínio islâmico.

A torre de Menagem, embora tipologicamente diferente das torres de época islâmica, tem, sobretudo a nível das abóbadas escalonadas da escadaria interior, paralelos com fortificações do reino de Granada – aspecto que está neste momento em estudo.

Esta fortificação é um exemplo da permanência, no sul do reino de Portugal, em finais do século XIII, do compromisso entre o mundo cristão medieval, dominante, dono de uma obra onde a sua matriz não está ausente e o peso que ainda têm os mestres construtores formados na "escola" andalusí, não se coibindo de deixar, marcados na pedra, elementos identificadores da sua origem cultural. Poder-se-á considerar, por este conjunto de circunstâncias, um dos melhores exemplos da arte mudéjar no Alentejo.

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O castelo do Alandroal é um bom exemplo da arte mudéjar no Alentejo, na medida em se trata de uma fortificação encomendada por elites cristãs (697 AH/1298 AD) a um alvanél ou arquitecto de origem islâmica, “Mouro Calvo”.
O autor da obra não só utilizou modelos arquitectónicos usados na época em Sevilha e em Granada (bem patente na modulação das torres e no desenho de um arco em ferradura) como conseguiu inscrever numa lápide uma expressão equivalente à divisa dos reis nasrís de Granada mas transcrita em caracteres latinos: "LEGALI : BI : IL : ILLALLA", ou seja "Wa la Ghalib illa Allah".

Como foi estabelecida a datação:

As inscrições existentes no castelo referem o nome do construtor, identificando-o como "Mouro Calvo". Porém, é em documentação medieval, da Ordem de Avis, que se consegue obter a data exacta: pelos documentos existentes, pode dizer-se que a sua construção decorreu essencialmente, entre 1294 e1298.

Bibliografia seleccionada:

Barroca, M. J., Epigrafia Medieval (862-1422), Lisboa, 1999, vol. II, t. 1, pp. 1114-1118.

Correia, F. B., "Espaços Fortificados de época e Influência Islâmica na Margem Direita do Curso Médio do Guadiana", Batalius, I, Madrid, 1996, pp. 77-88.

Lobo, F. S., “Alandroal, Terena e Juromenha (três sistemas defensivos)”, Castelos do Alandroal - VII Séculos, Alandroal, 1998, pp. 23-65.

Rei, A., "As revoltas Mudéjares no 'Algarve' ibérico em meados do séc. XIII e a divisa dos Násridas de Granada na zona do Médio Guadiana", Callipole, nºs 10-11, Vila Viçosa, 2002-2003, pp. 19-26.

Citation:

Fernando Branco Correia "Castelo do Alandroal" in "Discover Islamic Art", Museum With No Frontiers, 2022. 2022. https://islamicart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;ISL;pt;Mon01;24;pt

Autoria da ficha: Fernando Branco Correia

Número interno MWNF: PT DD

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